Campanhas eleitorais não usam a internet como rede
Por Gastão Cassel
Não sei se existe um candidato que não tenha um site, um blog, um Orkut, um Twitter, etc. É flagrante que, na maioria dos casos usam mal as ferramentas. As redes sociais nas eleições estão na base do “todo mundo usa, mas ninguém sabe por que”.
A corrida às redes sociais está ligada diretamente ao sucesso obtido na web por Barack Obama, cantado em prosa e verso, mas pouco explicado. A maioria não sabe que ele não usou a rede para pedir votos, mas para organizar os apoiadores e fomentar uma rede de contribuições políticas, intelectuais e financeiras.
Na verdade, poucos entendem o significado de “rede”, expressão que nomeia o con-junto de conexões horizontais entre pessoas, sem hierarquia, rizomática, capilarizada. As campanhas eleitorais brasileiras até o momento sempre foram verticais, com os partidos e candidatos discursando unilateralmente. Ah, mas e as memoráveis campanhas da militância do PT? Ora, um milhão de pessoas para carregar bandeiras não significa exatamente que esta gente teve protagonismo.
O sucesso de Obama não foi ter internautas reproduzindo o seu discurso. Seu Twitter com 120 mil seguidores, os 2,3 milhões de membros de sua comunidade no Facebook , ou os 11 milhões de views no seu canal no Youtube não são números tão impressionantes, nem tão decisivos para a campanha. O que fez a diferença foram as milhares de comunidades virtuais que geraram seu próprio conteúdo e disseminaram viralmente o nome de Obama como uma ideia coletiva. Este conteúdo se espalhou independente da vontade dos grupos de mídia e, também, com autonomia em relação às direções partidárias. Isto é rede.
Mas na nossa experiência local a internet ainda é usada como um pretenso espaço para pedir votos. Assim, fica com tudo para ser espaço inócuo, já que a maioria dos usuários das redes sociais provavelmente já tem suas preferências. Então os candidatos usam Twitter para divulgar sua agenda, perfis de Orkut estáticos, blogs sem interação, e por aí adiante. Ou seja, reproduzem o modelo vertical de campanha, não investem no conceito de rede, talvez em nome do controle do próprio discurso.
A internet neste caso é, sobretudo, um espaço de organização do discurso. O foco na web não é a conquista de acessos a um site, o que importa é que o seu conteúdo se espalhe, que seja replicado, refeito, que se alastre nas vielas da infovia. O que os comitês eleitorais deveriam propiciar era a disseminação, não a reprodução. A meta é que o “conteúdo” do candidato vire ideia corrente da qual os internautas se sintam também proprietários.
Não há em nenhum site oficial de campanha espaço para veicular conteúdos produzi-dos por eleitores, comitês independentes ou algo parecido.
A verticalidade ainda manda.
As redes sociais são feitas por pessoas, portanto também não adianta produzir conte-údos em enorme volume sem a identidade dos canditados. Não que os próprios candidatos possam sempre comandar pessoalmente as publicações, mas precisam estar perto, o interlo-cutor precisa sentir a sua presença. Quem se dirige a um comitê ou candidato pela via digital, seja por e-mail, por twitts, por scraps ou seja o que for, merece resposta ágil e pessoalizada.
Não adianta estar NA rede. É preciso estar EM rede.
[...] This post was mentioned on Twitter by pedro, pedro. pedro said: bom texto do @gastaocassel sobre o uso verticalizado que os políticos brasileiros dã às redes sociais. http://migre.me/16di8 [...]
meu caro amigo gastão…
acho que você acertou em cheio quando diz que políticos estão NA rede, porém, fora dela… nunca EM REDE…
afinal de contas, isso não é pra político…
estar transparentemente presente e divulgando sua plataforma, trocando ideias como o eleitorado, nunca foi muito o caso da política do brasil…
aqui a coisa é no conchavo mesmo, coronelismo arraigado…
num clima assim, só se pode esperar que os políticos utilizem a internet como palanque, nunca como mesa de bar, nunca como sala de estar…
enfim, nunca é via de mão dupla, sempre vertical, sempre de cima para baixo… porque pra eles, o povo está em BAIXO, bem baixo, tão baixo que só serve como número [comprados em lotes], e sendo assim, não existe interesse que este povo divulgue qualquer coisa, mesmo porque eles podem DETURPAR o magnífico discurso de candidato que não é para explicar nada, só para camuflar as más intenções que esperam a tomada do cargo…
é… infelizmente…
o obama tupiniquim só sabe que tem que ter um orkut, twitter, facebook, blog e site para usar como SANTINHO DIGITAL…
é amigo, no dia em que chegarmos a ter um “obama” de verdade, quem sabe eu volto a votar??? até lá, continuo só rindo desse bando de candidatos que seguem fazendo papel de palhaços com seus discursos medievais…
grade abraço!!!